Domingo, 26 de Junho de 2011

Ovação a uma Maquinanda

IV

Ó tocadora de harpa, se eu beijasse
Teu gesto, sem beijar as tuas mãos!,
E, beijando-o, descesse pelos desvãos
Do sonho, até que enfim eu o encontrasse

Tornado Puro Gesto, gesto-face
Da medalha sinistra — reis cristãos
Ajoelhando, inimigos e irmãos,
Quando processional o andor passasse!…

Teu gesto que arrepanha e se extasia…
O teu gesto completo, lua fria
Subindo, e em baixo, negros, os juncais…

Caverna em estalactites o teu gesto…
Não poder eu prendê-lo, fazer mais
Que vê-lo e que perdê-lo!… E o sonho é o resto…

Fernando Pessoa - Passos da Cruz

Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

A História provará a Verdade, não a tua verdade! - (Analogia Plagiada)



As próximas circunstâncias musicais aferem a minha resposta tardia que, assim tal como a justiça, tarda mas não falha, acerca do tipo de povo com que este senhor lidou (e outros lidarão) há 23 anos, o nosso actual rabo entre as pernas fugidio José Sócrates.

O discurso anterior refere tudo. Se a história o provará como certo, a afirmação não se tratará nada mais, nada menos do que um plágio realizado já por "demasiados" políticos, onde a Inglaterra foi deste momento o seu bode expiatório da sua excelência o engenheiro, recheado de processos judiciais, onde as mesmas palavras estiveram na boca de Tony Blair no período do apoio aos EUA na guerra do Iraque: “And history will prove me right / I'll find those WMD / Cross my heart and hope to die”.

Portugal necessita urgentemente de assumir o combate à ignorância, e neste caso circunstancial, será antónimo o seu resultado, a vitória pela paz.

No acordo com esta analogia unificada por uma comunidade natural ao processo da natureza do homem, ora a minha resposta tratar-se-á simples e puramente como artista, como músico, na figuração ficcional de Roy Harper com a sua estória do seu último videoclip e single de 2005: “What's that you say? / Blank, zero, nothing, zilch, a duck! / A duck egg... Oh no... I think... / I think... I just fell out the sky...

Este é o meu último adeus a José Sócrates em resposta invocatória versus sua provocatória da sua última mentira que já se queria afigurar ao papel de Deus, ora, meus senhores e senhoras, reflictamos então bem, mais uma vez, as vezes que forem precisas, a morte de Deus que nos elevou o passo para o modernismo.

A História prova a Verdade, e não só a tua verdade. É como pensarmos ser os melhores da nossa rua, sem reflectirmos qualquer tipo de observação para o mundo todo…



«Welcome to heaven
I'm your creator
I bid you welcome
To the promised land
Sorry I made you
Bomb all those children
They were all warned
And they fully understand
My will be done on earth
And they were slow to learn
My will be done on earth
Or otherwise eternally you'll burn
So eternally they'll burn

'Cos I am the interventionist God
And I'm warning you
I will intervene
Into your cooking and your books
And your disinterest rates
And all of your domestics in-between

I am the wood I touch
My fingers always crossed
I'm superstitious to the core
I step across the cracks
Down every street I walk
That way I know
I know I'll win the war

And history will prove me right
I'll find those WMD
Cross my heart and hope to die
What's that you say?
Blank, zero, nothing, zilch, a duck!
A duck egg... Oh no... I think...
I think... I just fell out the sky...


Falling...
Soon I'll be gone
Falling...
Goodbye everyone»



«My will be done on earth
My will be done on earth
My will be done on earth...

Something we knew about
Hundreds of thousands
And thousands of years ago...»

Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

A Morte de Deus

"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!" — Nietzsche, Friedrich: A Gaia Ciência, §125



«As I was dreaming
I started to feel
I could no longer
Tell dreaming from real
Too much was happening
Too fast, too slow
Maybe I'll wake up
Maybe I'll know

The guns have just started
But no one could say
If the time was just ending
Or slipping away
Into the shadows
Another long day
Another killing day

Where are you going
I said to myself
As I was throwing
Things from my shelf
Into some future
Ready to run
Soldiers are coming
Better be done

Silently, helplessly
Holding my tongue
Soon I'll be somewhere
I'll never belong
Mouthing the sounds
Of an immigrant song

Is there a reason anymore?
Are we just cannon fodder
Germinating war?
Pretending our finger's on the pulse
The pulse beyond the door
The imaginary door»



«Whence our family and friends
All crawl from their graves
Made for them by Shock and Awe
And half a billion fascist slaves
Somewhere where the facile voice of Jesus
Always saves
Always
Beyond the door

Do me a favour
Please don't patronise
Your war was not fought for my mind
But just for your prize
Started when what was some truth
Got spun into lies
Somewhere
Always beyond the door
Always
Beyond the door

How does this make me feel
Am I really part of this deal?
Totally mistaken
Ignored and forsaken
Am I really so unreal?
Why am I so unreal?

Blindfolded so that we never can tell
When the blows are landing
Or who they will fell
Humiliated, naked, paraded
By sadistic tourists
From crusader hell

Oh look at me mommy
I can take naughty pics
Look at me mommy
Now that I am six
Look at me mommy
I can take dirty pics
Look at me mommy...
Playing with dicks

Hoping and praying
And praying and hoping
Praying and hoping to die
Blowing my life away
Taking some others
A new kind of old passer-by
But I won't be passing you by
'Cos I'm the Samaritan
With a bomb in my eye
And my finger on the trigger
Of goodbye»

Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Congratulação Memorial de uma Maquinanda:



«Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...»

Fernando Pessoa (13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro de 1935)

Quarta-feira, 1 de Junho de 2011