Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Maquinanda com dedo na ferida

Estas coisas (intervenções) não são mostradas pelos nossos media. Aliás, nada do que é discutido no parlamento europeu é devidamente disponibilizado ao povo português através dos nossos orgãos de comunicação social. A maior arma de uma ditadura democrática camuflada, é sempre a censura das fontes de informação, sempre que estas tocam com o dedo na ferida.
Aqui assistimos a uma bela reflexão sobre a Grécia, mas não nos é difícil imaginar este mesmo cenário aplicado a Portugal; até a questão do armamento é estranhamente familiar... de ir às lágrimas é a referência ao disparate que são os aumentos de impostos, para todos aqueles que ganham menos de 1.000 € por mês, que em Portugal é caso mais do que comum... (o IVA aumenta já na quinta-feira, as novas tabelas de retenção na fonte estão também fresquinhas e prontas a usar por todos nós).

O desacreditar das instituições democráticas, ultrapassa as fronteiras de Portugal, chegando a esse messias chamado União Europeia! São todos farinha do mesmo saco, todos eles partilham os mesmos interesses (ainda e sempre económicos), movendo-se nos bastidores dos supostos orgãos democráticos, que teimosamente insistimos que controlem as nossas tristes e reprimidas vidinhas de carneiro, num qualquer rebanho ocidental.
Vergonha é que estas acções ilícitas e com interesses manifestamente económicos, que buscam sempre e acima de tudo o lucro à custa dos mais fracos e desprotegidos, estejam a utilizar o berço da democracia, a Grécia para os mais desatentos, para colocarem em prática acções que em breve vão ser aplicadas aos restantes países "entalados" do mundo ocidental.

Meus caros senhores com cargos e assentos na pesada máquina democrática moderna, a gula é um pecado mortal e nunca se esqueçam que quem tudo quer, tudo perde...




e não, esta reflexão não tem qualquer intento revolucionário! Para isso temos o assunto das Scuts e Chips, mas isso já é outra conversa...

Excerto de uma viagem no Esperto Maquinanda



«Oooh Oooh Oooh Oooh

I'm the obsessor
Holding your hand
It seems you have forgotten
About your man
Alone in the darkness
My bed's a different land
Your touch intensifies
And I'm in the Quicksand
I'm in the Quicksand
I'm in the Quicksand

You're the upsetter
Stroking my hand
What's my position?
I don't understand
Am I your possession?
Am I in demand?
Oh when you turn to me
I'm in the Quicksand
I'm in the Quicksand
I'm in the Quicksand

You, you moved into my mind again Oooh
You, you're walking around rent free Oooh
Oh, I could let you stay
But I'm walking on broken ground again
Oh, oh, when will I learn?
All you do is push me back in the dirt

I'm in the Quicksand
Oooh oooh ooooh ooooh ooooh ooooh
Oooh Ooooh

I'm in the Quicksand»

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

O Evangelho Segundo as Intermitências

Encontro-me mesmo profundamente triste. Mais melancólico ainda do que se tivesse morrido o meu cão ou qualquer outro parente meu pouco chegado com o qual quase eu nunca convivo. José Saramago aspira após o pequeno-almoço onde se encontrou com o novo raiar do dia.

A cegueira continua hoje a ser um ensaio, onde nos aprofundamos com o evoluir da humanidade cada vez mais pobre com a morte dos grandes escritores e intelectuais que são cada vez mais poucos, principalmente com a simplicidade e a cultura real e verdadeira portuguesa que teve o nosso último Prémio Nobel da Literatura.

Concordo contigo, José: a literatura é que é real, e não a história. Mas concordei principalmente contigo no teu desabafo sobre a democracia. Foi aí que te aprendi a conhecer e a amar a tua revolta, e isso nunca nada teve a ver com a política, mas sim sempre com a escritura. Como eu te compreendi!

Nunca te reconheci depois de seres reconhecido, aprendi a amar-te quando toda a gente te começou a odiar, e nunca li um livro teu antes da tua morte. As ironias da coincidência da vida sobre o patamar do julgamento da ignorância são mesmo perigosas quando vistas e sobrepostas à superfície do real na aparência, e quando não se conversa com a alma e as suas ciências que só os artífices da semiótica, onde as palavras são as suas ferramentas, o compreendem, e nunca só a retórica.

A obra é a eternidade do homem, e Kafka é a sua prova, onde Mann é a sua boa disposição, mas tu és português. O meu fascínio é Pessoa, e 2010, é de Ricardo Reis.

A religião foi a tua amante, e como qualquer escritor é sempre por destino dérmico da vida ter uma ramificação boémia, tinhas de escolher, logo, uma prostituta. E conheceste mais a fundo aquilo que já conhecias anteriormente as implicações e consequências a que isso te levaria.

Resta a continuação que já não é aqui, nem terminaria aqui, nem termina aqui. Agora é seguir os seus propósitos de conhecimento de uma busca pelo que ainda é desconhecido apreendido já como o encarar pelas nossas filosofias. Onde será que tenhamos aprendido isso? Porventura se calhar foi até já e unicamente aqui, empírico, ou noutro local, idílico?

São estes os propósitos de Deus… é este (o) seu… amor português!

Até já, Saramago!

Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

O fabuloso destino de Maquinanda

em jeito de mote para uma nova fase, a da renovação gráfica, (sugerida a dois tempos, com possibilidade de mais alguns actos), um imagem continua a valer mais do que mil palavras.
assim sendo, nada melhor que duas imagens, que terão certamente um valor igual ou superior a duas mil palavras.

a escrita continua a ocupar mais tempo na nossa mente do que o carácter instantâneo e imediato das fotografias; pela falta de tempo, pela mente ocupada dos desafios dos últimos meses da minha vida, muito fica por dizer, tanto fica por escrever...
haveremos de ter tempo, haveremos de conseguir criar tempo, caro efervescência da mente.

Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

Roberto, de Lady Gaga




Lady Gaga apresenta-nos o mesmo conceito filomático nos seus vídeos de "longa-metragem", originando desta vez na sua criatividade um maior equilíbrio entre a qualidade dos seus filmes com a sua música.
O estilo de Lady Gaga na sua componente de imagem tornou-se já imediatamente mais marcante do que propriamente a sua música, sendo esta última, ainda um patamar infinito de conhecimento a ser explorado, enquanto o seu guarda-roupa definem a vanguarda do encontro com o espectador.
Uma história de amor demarca um romance de sensualidade onde o sexo é o estigma central para o significado em conceito.
E propriamente em termos de contextualização histórica, Gaga inspira-se nas poltronas derrotadas da Alemanha nazi na Segunda Grande Guerra, investidas a sua frustração metamorfoseadas em glamour, miscigenadas entre a homo e a heterogeneidade sexual, a mono e a poligamia.
O fundamental lógico para Lady Gaga na sua expressão e manifestação artística neste vídeo é a sua caracterização da liberdade, podendo-se recorrer a qual meio para atingir fins de sapiência amorosa e óbvias felicidades, onde seguidamente encontramos a dramatização da derrota como de uma conclusão chegada ao retoque e remate final da obra nos termos do seu próprio desfecho, inclusive manufactor: uma crítica à sociedade no seu quotidiano de acção estética, onde o centro do acontecimento da sua fracção é bélica.
A distinção religiosa eleva o patamar último que pretende então atingir a arte na sua manifestação pura que Lady Gaga interpreta na exposição do nu com a intervenção dos seus seios no determinado momento oportuno da peça, por entre o mundo que se distingue no seu oposto de impuro pelos ideais causados sociais já pré-definidos. A miscigenação revela a reformulação e mais uma vez inovação total de valores para uma sociedade pré-condicionada, mecanizada e, por isso, doente.
O ambiente gótico prolifera a atmosfera dramática do enredo que nos demonstra a sensação central de um egocentrismo que se encontra em repressão absoluta, na tentativa do término dos seus conceitos básicos e rituais de acasalamento para a mutação de melhores condições de vida em termos de estabilidades emocionais, fundamentais para o correcto de todo o nosso organismo físico, assim como funciona toda a mecanização base do organismo do universo em correlação com a não matéria, corpo e espírito.
A Pop mais uma vez define a vertente da gula como um pecado mortal na inversão de valores que se exige por parte das entidades mais competentes e classicistas, as quais são as primeiras no rompimento desses mesmos, reformulados por intervenção divina que preconiza a história da Padeia como enciclopédia universal.
Este vídeo encontra o tormento de causalidade na origem da morte pelo preceito do seu mistério que identifica o panorama central da perturbação e da psicose em massa, revestido de uma perseguição que se eleva na ignorância e a falta de acesso ao conhecimento que depara as circunstâncias actuais do mundo vivido. O início é central para parar com o estigmatizar do final do relacionamento amoroso, da conclusão da história de amor e da reversão real nas capacidades do conceito que o ser humano tem de existência em si próprio.
Conclusivamente a Pop enfatiza e destaca, finalmente, em característica e demonstração prática, a sua vanguarda e componente Progressiva que o Rock n' Roll apresentou e exibiu no período, também do seu auge, os anos 70.

Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Maquinanda platónica e irónica

Chegou o patamar da sociedade portuguesa não querer aprender mais. Achou que já aprendeu tudo. Acabaram-se as conversas filosóficas de café, os intelectuais, as músicas concertos e espectáculos gratuitos. A cidade de Espinho faleceu!
Como se fosse possível uma cidade falecer, o máximo que lhe pode acontecer é ela mudar de nome, e o mais engraçado é nunca mudar de povo. Não precisa. A arte também nesta cidade é inexistente, e os seus conterrâneos estão todos desaparecidos. Somos hoje governados por asnáticos, velhos do Restelo e cowboys.
Por amar uma cidade é que me faz dela desaparecer como um cão sem dono, abandonado por um osso de glória que matará a fome para a sobrevivência, como Pilatos para salvar Jesus, ou Judas para salvaguardar o bom-nome da paz e da justiça da moral divina que o próprio mestre pregava. Por isso é que este foi escolhido.
A desculpa da população é um silêncio arfar, um retornado inesquecível de honra e vitória de benevolência, saudação, ajoelhamento e respeito. Contempla-se o deus do obséquio. A fartura ultrapassa as festas da senhora da ajuda e venera o verdadeiro Rei da coboiada: o senhor do baile das farturas. Fartos (“já”) se encontram todos os portugueses de tudo e de nada, inclusive de aprender, mesmo que ainda o saber não ocupe lugar. Tudo já se torna pequeno, e então a vinda crise, o que é preciso mesmo é (continuar a) poupar!
A culpa é do Governo, das Notícias, do Óleo, das Marcas, da Mentalidade, das Pessoas.
Apesar de sabermos não querer mais aprender, não sabemos é não querer mais querer, pois o Capitalismo não deixa isso, ou por outra, não estamos habilitados para isso, somos pobres, somos portugueses, “pelo amor de Deus”!
Ver deixou de ser até aquilo que a cidade já havia aprendido. Ver deixou até de ser essencial para os olhos. – “Não só quero deixar de aprender porque já sei tudo e estou farto dos outros como quero desaprender tudo aquilo que aprendi! – Eu sou tão bom! – Os outros não sabem nada! – Eu nem sei o que estou aqui a fazer!”
Ora a essência do problema torna-se central a partir do momento que a deixamos de complicar como dupla. Resolvê-la é atitude. Ignorá-la é magnitude da amplitude da visão desses olhos que passam a ver com os seus, e daí possamos retomar à filosofia própria, mesmo que seja só pela primeira vez. A partir daqui poder-se-á determinar, condenar, até mesmo julgar. Depois volta a mandar a lei e a esta nossa sociedade que é tão perfeita.
Circula um veneno pelas veias do ser que é o mal mundano. A cegueira emana as veemências do poder que é um bem profano. Se Adão nunca caiu em tentação, foi porque amou. Se conjugou, foi porque venerou com enaltecimento a cedência da sua razão. Mas até já Platão receava em Sócrates, o deus dos pragmáticos e dos ateus, a intermitência do diabo católico da sua inveja, mas no que falo que refiro aqui centralmente do Clássico é a ignorância, e ainda no cristão portuguesinho a sua maior determinação do Satã que era o ódio. E até Lúcifer era um anjo! Para além da história do absurdo, mais ainda do que pagã, tudo isto pelo mau-olhado!
Aos idólatras castrados da filosofia contraditória e da descrença, ou que simplesmente me odeiam, que lerem esta crónica, não liguem – estou apenas a ser irónico! Podem odiar-me ainda mais, e continuar a disfarçar, para deixar assentar esta poeira até para depois mais daqui a algum tempo, eu vou continuar a fingir o acreditar. Até lá!
Quanto à coboiada estrangeirada: nada a dizer – desprezo total!
Em relação ao meu fundamentalismo, sugiro um incentivo de abertura com uma contra-prova em facto de demonstração e idealismo.