Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Maquinanda de Felicitações e Memórias

Esta é consideravelmente uma Maquinanda dual: tanto poderemos representar o nascimento como a morte. As configurações adaptáveis de Lady Gaga formulam dela uma nova princesa da pop com o desenvolvimento e envolvimento óbvio do material estilístico electrónico.

Poderemos nós, finalmente, novas gerações, livrar-nos dessa chata excêntrica desmesurada sem voz, sem inspiração e criatividade nenhuma que "compra os seus próprios discos para ter sucesso" que é a Madonna.

É caso para dizer: muitos parabéns! Muito bom som, muito bem tocado, merece ser visto até ao fim, com toda a calma, paciência e erudição do mundo!

Para Mcqueen, aquela honraria de um notável e único trabalho, "rest in peace", por muito o tanto trabalho desconhecido das interpelações consumistas e descartáveis de curto prazo que são as mitologias divinas ocidentais hodiernas.




A evolução crescente de Lady Gaga têm-se notado numa singularidade excepcional e surpreendente.

Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Taí, Maquinanda!

É precisamente mais um ano que nos trespassa este culto ritual carnavalesco que nas minhas vivências já teve dias melhores com a canção que se vai prestar homenagem a seguir.
Recordo sentindo com saudade o momento púrpura em que se ascendeu o terreno de suavidade e carinho em que a barreira da dificuldade se superou por todo pelo nome do amor. Oxalá aconteça sempre isso que me aconteceu a mim, todos os anos, bocadinho a bocadinho, em cada canto do mundo, para provar que a felicidade existe.
É sem dúvida também um relembrar de memórias à dedicatória de relíquias daquelas que foram um dos melhores momentos Maquinanda de sempre, que é, Tino Rossi.

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

Maquinanda das Saudades de Casa



«Drawing a line
A ship in a harbour
Yes I will go
I’ll be going there soon

A blue map of Cornwall
Up on a bedroom wall
Drawing a line
I’ll be following soon

But how do I follow
What road to be choosing?
When the seasons so high
For losing

I recall when I was younger
There was a fire
To travel the world
And shine with a passion
But as ambition shoots blank
Day by Day
On a train from Edinburgh
To the Kings Cross rain….

I see a small house
Built on the sea
I could live there alone
With a horse and a ukulele

But how do I get there?
What road to be choosing?
When the seasons so high
For losing

How do I follow
What road to be choosing?
Do I follow the star
Or the Gypsy King?»

Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Depois da Manela, agora o Mário...

não existe qualquer necessidade de acrescentar mais nada, para além do testemunho do jornalista em causa! cada vez mais me convenço que vivemos num país de merda...

O Fim da Linha
Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.